Neuralgia do trigêmeo

Neuralgia do trigêmeo

Tiago-freitas-Neurocirurgiao-tratamento-dor-fig-2-nt

Neuralgia do trigêmeo ( NT) é uma doença responsável por crises de dor em face que possui as seguintes características: dor que acontece em crises de forte intensidade, tipo choque/facada/raio em região da face . Ela afeta o nervo trigêmeo , o qual possui TRÊS divisões e é responsável pela sensibilidade do rosto( Figura 1).

Tiago-freitas-Neurocirurgiao-tratamento-dor-fig1-trigemeo

Figura 1 – Esquema de inervação cefálica

A dor pode acometer uma pequena área da face e pode também irradiar rapidamente para outras regiões inervadas pelo nervo , mas está sempre restrita às regiões inervadas pelo nervo trigêmeo .

As três regiões da face afetadas pelo nervo trigêmeo são:

  • Oftálmica: Inerva a região do olho, pálpebra superior e fronte
  • Maxilar: Responsável pela sensibilidade na pálpebra inferior , bochecha, nariz, lábio superior
  • Mandibular: Responsável pela sensibilidade da maxila, lábio inferior, bochecha e controla alguns músculos da mastigação

 

Das TRÊS regiões , as regiões maxilar e mandibular ( respectivamente segunda e terceira divisões do nervo) são as mais comumente afetadas pela neuralgia trigeminal. Mais de uma região inervada pode ser afetada numa crise de neuralgia trigeminal

Os ataques de dor são frequentemente ligados a fatores de estimulação na região da face, mais frequentemente próximos à asa do nariz do mesmo lado da crise dolorosa. A dor usualmente acontece em crises que duram de alguns segundos à poucos minutos e é comumente descrita como: súbita, choque, fincada, eletricidade, queimação ou facada.

Algumas atividades com escovação do dentes, o ato de barbear, colocação de maquiagem ou até mesmo uma brisa leve no rosto podem desencadear os ataques de dor. Entretanto as crises podem acontecer independente deste fatores desencadeantes e à qualquer hora

Os sintomas tipicamente se iniciam depois da idade dos 50 anos, mas podem acometer pessoas mais jovens. A neuralgia do trigêmeo afeta geralmente apenas um dos lados da face . Em casos raros pode acometer os dois lados , e quando isso acontece deve-se suspeitar de Neuralgia do Trigêmeo secundária à Esclerose Múltipla.

CAUSAS DA NEURALGIA TRIGEMINAL:

A dor é causada pó um distúrbio da função normal do nervo trigêmeo . A causa ainda não é completamente conhecida e envolve associação de fatores genéticos e ambientais . Entretanto em muitos casos uma compressão por um vaso intracraniano sobre o nervo trigêmeo está associado à presença da dor

Menos frequentemente a neuralgia trigeminal pode ser secundária à outras doenças como tumores e a esclerose múltipla

TRATAMENTO:

O tratamento da neuralgia trigeminal envolve duas categorias:

  • medicações para o manejo da dor
  • Procedimentos e cirurgias que interferem com a função do nervo ou realizam a descompressão do nervo trigêmeo

Medicações:

As medicações utilizadas ajudam no controle do sinais anormais do nervo trigêmeo que acontecem com a doença. É importante o esclarecimento de todos os possíveis efeitos colaterais visando uma melhora adaptação individual de cada paciente no tratamento clínico. As medicações mais comumente usadas são:

  • Carbamazepina (Tegretol)
  • Oxcarbazepina(Trileptal, Oleptal)
  • Fenitoína( Hidantal)
  • Baclofeno ( Lioresal, Baclon)
  • Lamotrigina( Lamictal)
  • Gabapentina ( Neurontin, Gabaneurin)
  • Pré-gabalina(Lyrica,Prebictal,Dorene)

Procedimentos Cirúrgico:

1 – Procedimentos percutâneos: apresentam a vantagem de serem minimamente invasivos e de menor risco ao paciente

Estes procedimentos envolvem a passagem de uma agulha pela pele objetivando atingir a região do nervo de onde se originam as suas TRÊS divisões, chamada de gânglio de gasser. Esta região localiza-se na base do crânio e a agulha serve como um guia para atingir o gânglio.

Figura:exemplo de punção do forame oval pela técnica de Hartel

Figura:exemplo de punção do forame oval pela técnica de Hartel

Uma vez alcançado o alvo pode-se realizar procedimentos que visam causar uma lesão do nervo trigêmeo objetivando controlar os sintomas dolorosos. Os procedimentos disponíveis são:

  • Compressão do gânglio de gasser utilizando um cateter balão de Fogarty

Este procedimento é realizado com sedação ou anestesia geral . Após a inserção da agulha no gânglio de gasser um tubo flexível ( cateter) com um pequeno balão em sua extremidade é colocado através da agulha até atingir o gânglio. Ë utilizado raios-x intra-operatório como guia no procedimento . Uma vez colocado no gânglio o balão é insuflado causando uma lesão compressiva sobre o nervo . Como resultado a sensação de dor é bloqueada

A compressão pelo balão controla o quadro de dor na maioria dos pacientes . Algumas pessoas experimentam um retorno da dor , que pode ocorrer em alguns meses ou alguns anos sendo diferente de paciente para paciente. A maioria da pessoas apresenta sensação de dormência na face, variando também de paciente para paciente.

Tiago-freitas-Neurocirurgiao-tratamento-dor-exemplo-balonizacao1 Tiago-freitas-Neurocirurgiao-tratamento-dor-exemplo-de-balonizacao2

Figura: exemplo de balonização do nervo trigêmeo

  • Lesão do gânglio de gasser usando radiofrequência:

Este procedimento realiza a lesão do gânglio de gasser por uso de calor( radiofrequência) . O procedimento é realizado utilizando-se sedação sendo necessário a cooperação do paciente durante a realização do mesmo.

Apos a punção do gânglio de gasser guiado pelo raios-X um eletrodo é colocado através da agulha em contato com o nervo. É realizada uma estimulação com o paciente acordado ( sob forte analgesia) para identificar as regiões da face acometidas pela dor e onde são feitas as lesões do nervo com altas temperaturas.

Assim como no procedimento anterior a maioria do pacientes ficam livres da dor. Recidivas podem acontecer, variando de paciente para paciente. A diminuição da sensibilidade em face é um efeito comum apos a realização deste procedimento

  • lesão do gânglio de gasser por glicerol:

Este procedimento é realizado sob sedação com a mesma técnica para punção do gânglio de gasser já anteriormente citada. Nesta técnica é injetado uma solução de glicerol no espaço de líquor que circunda o gânglio de gasser ( cisterna trigeminal) . O glicerol faz uma lesão do nervo causando um bloqueio da sensação dolorosa e o paciente necessita de ficar na posição sentada por 3-4 horas para obter um maior contato do glicerol com o g6anglio

Dos procedimento percutâneos este é o que apresenta menor eficácia a longo prazo.

2 – Cirurgia Aberta (microcirurgia)

A cirurgia tem o objetivo de diminuir a compressão do nervo por alguma vaso intracraniano, é chamada de Descompressão microvascular:

A cirurgia consiste na separação/recolocação do vaso sanguíneo que esta em contato com o nervo trigêmeo, separando o nervo do vaso com um material não absorvível ( teflon). O procedimento é realizado sob anestesia geral. Ë realizada um incisão atrás da orelha, retirada de fragmento ósseo subjacente e afastamento do cerebelo visando a exposição do nervo. Se vasos arteriais ou venosos são encontrados comprimindo o nervo eles são separados do mesmo com uso de material não absorvível

Tiago-freitas-Neurocirurgiao-tratamento-dor-posicionamento-em-cirurgia

A microcirurgia é efetiva no controle do quadro doloroso na maioria dos pacientes. Entretanto pode haver recidivas. Embora esta técnica tenha a taxa de sucesso mais alta a longo prazo ela é a que também apresenta o maior risco. Os riscos incluem chance de perda auditiva, fraqueza muscular facial, sangramento e até mesmo óbito. Estas complicações são raras e muito associadas à experiência do cirurgião

  • Radiocirurgia estereotáxica:

Consiste no uso da radioterapia para lesar o nervo consistindo de um procedimento não invasivo . Apresenta a s piores taxas de sucesso e um tempo maior de latência para a sua atuação. Os riscos incluem perda da audição, diminuição da sensibilidade de face .

Conclusões:

A neuralgia trigeminal consiste de uma doença geralmente controlada com o tratamento medicamentoso. Entretanto uma porcentagem dos pacientes não responde às medicações e/ou não suportam os efeitos colaterais necessitando de tratamento complementar com procedimentos cirúrgicos. Pergunte ao seu medico sobre as opções visando decidir pela melhora terapia no tratamento desta doença.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *